Recentemente revisei o caso do escândalo JPEX em Hong Kong, e quanto mais olho, mais acho que esse caso merece uma reflexão profunda de todos os investidores.



Falando nisso, esse evento, considerado o maior colapso de criptomoedas na história de Hong Kong, começou em setembro de 2023, quando a SFC emitiu um aviso, e em apenas dois anos evoluiu para um grande caso com 80 pessoas presas, mais de 2700 investidores prejudicados e perdas superiores a 1,6 bilhão de dólares de Hong Kong. Notei que toda a trajetória do caso JPEX realmente explica bem o problema.

A plataforma foi fundada em 2020, alegando ser uma bolsa de ativos digitais orientada globalmente, com publicidade massiva em Hong Kong. Estações de metrô, ônibus, centros comerciais estavam cheios de anúncios, e alguns até com o nome de "Exchange de criptomoedas do Japão". O que mais atraía era o produto Earn, que prometia retornos anuais de 20% em BTC e 21% em ETH. Essas promessas de "baixo risco e alta recompensa" realmente seduziram muitos.

Mas aí veio o problema. Após investigação, a SFC descobriu que essas chamadas "licenças" não tinham fundamento, pois as licenças financeiras nos EUA, Canadá, Austrália e Dubai eram apenas para câmbio de moeda estrangeira, e não suportavam transações de ativos virtuais. A plataforma promovia seus serviços através de influenciadores e lojas de negociação OTC, criando uma falsa aparência de conformidade.

Desde julho de 2023, usuários na China continental começaram a relatar dificuldades para sacar fundos. Vi muitas reclamações no Hong Kong LIHKG na época, dizendo que a plataforma enganava vítimas para irem a Hong Kong "resolverem seus fundos", e alguns até foram atacados. Esses incidentes se espalharam rapidamente, gerando rumores de colapso, e a situação começou a sair do controle.

Em 13 de setembro, a SFC publicou um aviso oficial, acusando o JPEX de operar sem licença. A resposta da plataforma foi ainda mais absurda — não admitiram o erro, mas culparam a SFC de "perseguição injusta". Com essa resposta, o número de reclamações subiu de algumas centenas para mais de 1600. Em 17 de setembro, a plataforma anunciou o congelamento de saques, com a taxa de retirada de USDT passando de 10 para 999 (o máximo era 1000), o que significava que os usuários só podiam retirar 1 USDT. Essa prática foi chamada de "congelamento de ativos".

Cinco dias após o aviso da SFC, a polícia iniciou uma operação de choque chamada "Operação Ferrovia", prendendo inicialmente 8 pessoas, incluindo o influenciador KOL Lin Zuo, com 150 mil seguidores. Ele foi acusado de fazer declarações falsas no Instagram de que a plataforma era "segura e licenciada", enganando investidores a depositar fundos. Nos meses seguintes, o número de prisões aumentou, envolvendo membros centrais do JPEX, responsáveis pelo OTC, influenciadores e outros níveis.

Até novembro de 2025, a polícia de Hong Kong formalizou acusações contra 16 pessoas, sendo essa a primeira acusação formal contra o caso JPEX após dois anos. Ao mesmo tempo, a Interpol emitiu mandados de captura vermelhos contra três dos principais suspeitos, que já fugiram para o exterior. Os ativos congelados pela polícia atingiram 228 milhões de dólares de Hong Kong, incluindo dinheiro em espécie, barras de ouro, carros de luxo e ativos virtuais.

Acredito que o aspecto mais alarmante desse caso seja o risco sistêmico de plataformas sem licença e de propaganda falsa. Esses influenciadores parecem brilhantes e têm muitos seguidores, mas não fizeram uma devida diligência sobre a qualificação da plataforma antes de começar a promover. Promessas de altos retornos, licenças falsas, uma imagem cuidadosamente construída de "segurança e facilidade de uso" — tudo isso virou ferramentas de engano para os investidores.

Esse caso do JPEX também impulsionou uma nova fase na regulamentação de ativos virtuais em Hong Kong. Em junho de 2023, Hong Kong lançou o sistema de licenciamento VATP, que exigia que todas as plataformas obtivessem aprovação da SFC. Mas o JPEX escolheu ignorar as regras, pagando um preço muito alto por isso.

Para os investidores, a lição é clara: desconfie de promessas de altos retornos, evite plataformas sem licença e faça sua própria pesquisa antes de confiar em influenciadores. Optar por exchanges licenciadas e verificar a conformidade regulatória é a melhor forma de proteger seus fundos.
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