Recentemente vi o boletim semanal de gráficos da a16z, e há um ponto de vista que é bastante impactante — a tecnologia não apenas devora o mundo, mas o mais importante é que ela quebra todos os nossos modelos econômicos existentes.



Vou começar com um dado que vai te assustar. O valor de mercado das dez maiores empresas listadas no mundo, somadas, já ultrapassou o PIB total de todos os países, exceto os EUA, do G7. Se você tirar a Saudi Aramco (embora essa empresa também seja bastante tecnológica), a conclusão continua a mesma. Isso não é um conceito vago ou abstrato, mas uma realidade econômica concreta.

E essa mudança aconteceu de forma extremamente rápida. Em 2016, o valor de mercado das dez maiores empresas de tecnologia era apenas uma fração do PIB dos outros países do G7, e em menos de dez anos virou o jogo. O valor de mercado das dez maiores empresas do S&P 500 já é seis vezes maior do que em 2015, e sua participação no índice dobrou. Se um investidor na época tentasse usar o modelo de 2015 para prever o potencial de alta das ações de tecnologia, estaria subestimando em cerca de seis vezes.

O mais louco é que a contribuição da tecnologia para o crescimento de lucros do mercado já ultrapassa 60%. A análise da a16z aponta que, exceto pelo breve período de auge do setor de energia no início do século XXI, nenhuma outra indústria desempenhou um papel tão central no crescimento de lucros. Para ser honesto, a tecnologia já não é mais um ciclo — ela é o próprio ciclo.

Porém, o pano de fundo dessa história é ainda mais interessante. Olhando para a história, sabemos que os ferrovias também dominaram o mercado na era industrial, chegando a representar 63% do valor de mercado total dos EUA no auge. Os pessimistas gostam de usar esse exemplo para falar de bolhas, mas o que realmente aconteceu foi que as ferrovias deram origem a um sistema econômico totalmente novo, que era muito maior do que as próprias ferrovias. Elas não desapareceram, foram absorvidas por algo maior.

E aqui não dá para deixar de falar de IA. Uma das maiores contribuições das ferrovias foi o surgimento da estrutura organizacional moderna de empresas. Antes delas, as empresas eram tão pequenas que cabiam na cabeça de uma pessoa. Mas com tantas locomotivas, estações e decisões acontecendo ao mesmo tempo, em 1855, a companhia ferroviária de Nova York e Erie criou o primeiro organograma de estrutura organizacional moderna. Gestão intermediária, múltiplas unidades de negócio, gerentes profissionais — tudo isso nasceu dos problemas de organização gerados pelas ferrovias.

Agora, a IA pode estar prestes a reescrever esse roteiro. Jack Dorsey recentemente propôs uma ideia: o valor da IA nas empresas não é dar um copiloto para cada um, mas substituir funções de gestão intermediária. Absorver informações, manter o alinhamento, calcular decisões antecipadamente — tarefas normalmente responsabilidade da gestão, que no futuro podem ser delegadas à tecnologia, permitindo que as pessoas voltem à linha de frente para lidar com clientes e interações humanas. Se essa ideia for verdadeira, estaremos diante de uma reinvenção de 170 anos de gestão empresarial por meio da tecnologia.

Além da macroeconomia, notei que o uso de stablecoins está mudando silenciosamente. Se excluirmos operações mecânicas de transações e gerenciamento de fundos, estima-se que, no ano passado, as transações reais com stablecoins ficaram entre 350 bilhões e 550 bilhões de dólares. A maior parte é B2B, o que não é surpresa, mas B2C e C2B também estão crescendo, indicando que as stablecoins estão cada vez mais participando das atividades comerciais diárias.

Há também uma mudança social mais profunda que merece atenção. A confiança do público nos meios tradicionais de comunicação caiu para níveis históricos — apenas 28% das pessoas dizem confiar muito ou bastante, contra 72% em 1975. Mas a verdadeira história está na divisão geracional — entre adultos com menos de 30 anos, 76% pelo menos ocasionalmente obtêm notícias das redes sociais, enquanto entre os com mais de 65 anos, esse número é apenas 28%.

Curiosamente, o pico de 72% de confiança em 1975 costuma ser considerado a era de ouro da mídia, mas na verdade, naquela época, poucas redes de televisão e jornais monopolizavam a informação. Então, uma pergunta: quanto dessa “confiança máxima” vinha de notícias de qualidade, e quanto era apenas por falta de alternativas? Para a geração mais jovem, que tem a menor confiança na mídia tradicional, ela cresceu justamente nesse ambiente de maior diversidade de fontes. Isso é o que Martin Gurri descreve em “A Rebelião do Público”: a desintegração do monopólio da informação revela uma autoridade que nunca foi realmente conquistada.

No geral, o boletim da a16z reflete não apenas dados de mercado, mas uma transformação maior na economia e na sociedade. A tecnologia não só cresceu, ela está reescrevendo as regras do jogo econômico.
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